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O Governo que Quer Gerir a Notícia

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  Quando o poder não se limita a governar, mas quer também ditar como é que esse governo é contado Existe uma tensão estrutural, saudável e necessária, entre quem governa e quem informa. É dessa tensão que nasce a democracia viva. O problema começa quando um governo deixa de a tolerar e passa a tentar administrá-la — e é exatamente isso que está a acontecer com o executivo de Luís Montenegro. O ranking que ninguém pediu Em abril de 2026, soube-se que o Governo contratou, por cerca de 40 mil euros, uma plataforma de inteligência artificial chamada NewsWhip. O problema não é a monitorização de meios — é o que vem a seguir: a plataforma permite criar "rankings individuais de jornalistas, classificando-os pelo número de notícias que produzem e pelo impacto que essas notícias têm". A pergunta é simples: para que quer o Estado uma lista classificada de jornalistas, e quem tem acesso a essa informação dentro do executivo? O Governo respondeu com a linguagem habitual do ...

Fiz 18 anos. Porque não posso ser Presidente da República?

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  O artigo 122º da Constituição torna elegíveis à Presidência da República os portugueses de origem maiores de 35 anos. A contrario sensu, depreendemos que aqueles que, embora cumprindo o primeiro requisito, têm entre 18 a 35 anos, não podem ser candidatos ao mais alto cargo da Nação. Porquê?  Os trabalhos preparatórios da Constituição nada nos indiciam. Apenas na Constituição anotada dos Profs. Gomes Canotilho e Vital Moreira encontramos uma breve referência à problemática: “Relativamente ao requisito da idade (…) trata-se de um requisito especial em relação à regra geral (18 anos) e que se compreende por uma exigência de maturidade e responsabilidade que, supostamente, só a idade de 35 anos confere”.  Era um argumento previsível. O Presidente da República deve ser o garante da regularidade democrática do sistema político. Terá que ser, indubitavelmente, alguém muito preparado e capaz. No entanto, há que censurar esta opção do poder constituinte. Não se garante a eleição...

A derrota de Orbán: o que isto representa para a Europa?

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  No passado dia 13 de abril, a Europa recebeu de braços abertos a notícia do fim do governo de Viktor Orbán, depois de 16 anos ininterruptos como chefe de Governo da Hungria. Neste dia histórico, 8 milhões de eleitores escolheram votar na oposição concentrada na pessoa de Péter Magyar, líder do Tisza, ex-insider do partido de Orbán.    De uma perspetiva da política da União, Orbán é um dos mais vocais líderes da ala mais conservadora da Europa e o seu governo um dos mais duradouros. Nem por isso os seus “fãs” se esgotam nos limites geográficos da Europa: o ex-presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, expressou abertamente o seu apreço pelo líder em diferentes instâncias.   O chamado “Modelo Orbán” inspirava as pretensões da direita radical em todo o mundo e constitui um processo contínuo de degradação da democracia pela via parlamentar, através do desenvolvimento de medidas que resultaram numa maior concent...